O Verifactu será um elemento dinamizador nas farmácias

A digitalização avança no setor farmacêutico com o Verifactu e o Nixfarma 10 como impulsionadores de uma nova era. Representam um passo decisivo rumo a uma gestão mais moderna, eficiente e conectada, que permitirá às farmácias adaptarem-se ao futuro com maior agilidade e segurança. Por isso, são protagonistas do evento “Vive ao vivo a nova era da Farmácia”.

O futuro não espera: a faturação eletrónica chegou. Foi um dia de aprendizagem e de celebração dos 40 anos da Qwerty. A Pulso, uma empresa do grupo Glintt Life, organizou esta terça-feira, em Valência, o evento Vive ao vivo a nova era da Farmácia, com Verifactu e Nixfarma 10 como protagonistas, oferecendo uma visão mais moderna do setor.

A essência da empresa é estar ao lado das farmácias, compreender as suas necessidades e oferecer soluções à medida. Deram as boas-vindas José Travé (Nixfarma), que apresentou a agenda da jornada, e Luis Esgueva (Glintt Life), que perguntou aos participantes quem considerava que o Verifactu era algo incómodo — até uma ameaça — ou uma oportunidade. Explicou porque acredita que é uma oportunidade: “A primeira razão é o momento em que vivemos. O sistema de saúde espanhol, apesar dos seus problemas de sustentabilidade, é único no mundo. As farmácias estão no centro desse sistema. A sustentabilidade passa por utilizarmos a farmácia como um centro de saúde de proximidade”. Afirmou ainda que o setor farmacêutico continua a crescer.

A segunda razão é que “as mudanças legislativas sempre nos deram oportunidades, porque nos impulsionam”. A receita eletrónica, a receita eletrónica privada, o SEVeM, entre outros exemplos. Considerou que o Verifactu será “um elemento dinamizador” nas farmácias, que permitirá criar espaços mais saudáveis e atrativos para os pacientes. “Vai fazer com que invistamos na farmácia”, acrescentou. Outra razão é que a Glintt Life está próxima das farmácias e procura apoiá-las com “muitas soluções, como o Nixfarma 10, que incorpora muita tecnologia”. A inteligência artificial permitirá fazer compras preditivas. Tudo isto é feito “com proximidade”, com uma empresa como a Qwerty como parceira.

Javier Hurtado, inspetor da Agência Tributária, ajudou a compreender o Verifactu de forma simples. Falou sobre transformar a mudança numa oportunidade. “Quase mexe com a cultura, com a maneira como vamos trabalhar. Temos a obrigação de transformar isto numa oportunidade”, afirmou. Incentivou a pensar em como integrá-lo de forma a beneficiar a atividade da farmácia. Diferenciou a fatura eletrónica do Verifactu: a primeira é uma relação entre partes; o segundo é um registo informático que, com medidas de segurança, gera obrigações. A forma preferida de funcionamento é o envio automático para a Agência Tributária. É um passo inegável num caminho já iniciado. “A digitalização não foi criada pela Agência Tributária. Com um simples telemóvel é possível cumprir isto”, sublinhou. O futuro próximo é um em que a comunicação entre empresas e entre empresas e utilizadores será eletrónica. Alertou que convém não ser apanhado de surpresa pela medida legislativa. O RD 1007 é o que define o Verifactu. Cada empresa gera a sua informação nos seus sistemas e a traduz. A ideia é que, ao gerar essa informação, se cumpram automaticamente as obrigações fiscais. No País Basco, já foi implementado há três anos com o TicketBAI.

A ideia de estandardização é poderosa, porque ajudará qualquer pessoa a compreender rapidamente as faturas. A mudança cultural levará ao cumprimento automático da norma. Uma novidade é que inclui data e hora do registo de faturação. O encadeamento é feito com um algoritmo e qualquer alteração deixa uma marca — ou seja, são acrescentados mais elementos de segurança. A modalidade Verifactu implica a transmissão dos registos de faturação à Agência Tributária de forma imediata. Sem esta modalidade, é obrigatório guardar a documentação durante quatro anos. Hurtado destacou que o uso do Verifactu confere prestígio junto dos clientes. O consultor fiscal poderá ver a faturação do cliente. Uma vez que a Autoridade Tributária conhece essas operações, não voltará a perguntar sobre elas. “O Verifactu é o primeiro passo no caminho da digitalização. Quem o adotar agora terá já uma vantagem”, argumentou. Quem usar um modelo não-Verifactu terá mais etapas obrigatórias no futuro.

O QR é uma novidade que envolve o cliente na verificação da fatura. A farmácia emite uma fatura, o cliente lê o QR e a aplicação da Agência Tributária valida se é legítima. Todos os programas devem ser certificados, passando a responsabilidade do empresário para o fabricante. Para pessoas jurídicas, entra em vigor a 1 de janeiro de 2026. A partir de julho de 2025, os fabricantes são obrigados a comercializar programas adaptados.

Explicou que as farmácias, pela natureza da sua atividade, tributam normalmente em dois regimes. Estão no Regime de Recargo de Equivalência pelas vendas de medicamentos e parafarmácia, e no Regime Geral do IVA na prestação de serviços (pesagem, glicemia, tensão arterial). Com o Verifactu, as farmácias que declaram por estimativa direta — o mais comum — devem emitir e registar faturas por todas as operações, independentemente do regime. O RRSIF deve incluir tanto vendas como serviços. Para evitar erros, é essencial separar operações do Recargo de Equivalência das do Regime Geral, pois estas últimas devem refletir IVA. Em resumo, o Verifactu exige uma gestão diferenciada e rigorosa das operações, garantindo rastreabilidade e consistência da informação fiscal.

Depois, Alex Müller (Glintt Life) falou sobre a visão de uma Farmácia 10, mais conectada e centrada no paciente. Comparou a situação ao ciclo natural dos cervos, que renovam a sua “coroa”. A nova conjuntura exige reinvenção: “É um ponto de inflexão”. Explicou como uma farmácia com faturação de um milhão de euros, com crescimento médio de 5%, acaba a pagar entre 40% e 45% em impostos. A solução? “Investir no nosso negócio”. O Verifactu “abre os olhos” sobre o quanto se está realmente a investir na farmácia.

Estamos num processo de transformação digital. O cliente mudou: um em cada dois produtos é comprado digitalmente. É um “paciente omnicliente”, que usa múltiplos canais. É phygital, combinando experiência física e digital. Mostrou exemplos de como integrar tecnologia pode gerar poupanças fiscais até 50%. Acima de tudo, o cliente nunca esquece como o fizemos sentir.

Seguiu-se uma mesa-redonda com representantes do MICOF, COF de Castellón e a Conselleria de Sanitat. Valorizaram a eliminação do recorte de cupão precinto. O tempo ganho pode ser investido em atenção farmacêutica. Afirmaram que o papel da farmácia como agente de saúde exige concertação autonómica dos serviços farmacêuticos.

Ángela Blanch (Nixfarma) apresentou como aplicar o Verifactu no dia a dia. “Desde 29 de julho de 2025, o Nixfarma está preparado para trabalhar com o modelo Verifactu”. Explicou o processo de configuração, o uso de certificado digital, a irreversibilidade da ativação e os dados transmitidos (sem dados de pacientes). Destacou mudanças como impossibilidade de devoluções manuais e necessidade de gerar faturas retificativas. Todos os meses, é preciso registar a liquidação do COF no módulo Verifactu.

Um momento emotivo foi a apresentação do Nixfarma 10 por José Travé e Celso Delgado. “Não é apenas uma versão nova”. Tornou-se um ecossistema conectado, acessível de qualquer lugar, com inteligência integrada. Garantiram que não haverá perda de funcionalidades e que a transição será fluida. O dashboard é uma das novidades, com menor necessidade de cliques e maior personalização. Começaram pela receita eletrónica, já em produção em algumas comunidades. A velocidade e simplicidade foram destacadas pelos farmacêuticos.

Foi dada especial atenção à acessibilidade, legibilidade, atalhos e ícones. A gestão de compras foi muito otimizada: comparativos, consultas rápidas e distribuição automática entre distribuidores. É 78% mais rápido, 43% mais simples e 100% mais acessível.

Delgado explicou que os farmacêuticos pediam dados em tempo real e isso levou ao lançamento do Nixfarma Cloud, que permite gerir a farmácia desde qualquer lugar. No futuro, incluirá compras preditivas e recomendações em tempo real. Os dados estão na nuvem mas permanecem na farmácia. A API permite integração com CRM, marketing e automação.

Também foi otimizada a gestão de incidências, com uma nova interface que poupa tempo, além de maior participação dos farmacêuticos na plataforma colaborativa. “Hoje começa o padrão da farmácia do futuro”.

No final, foi apresentada a NIxIA, a nova inteligência artificial do Nixfarma. Ajuda em suporte, documentação, revisão farmacêutica e pesquisa de medicamentos. Se não souber responder, encaminha para um humano. Reduz tarefas de 45 minutos para três. “Abre-se um grande caminho de evolução”.

O resumo do dia foi “cumprir e evoluir”. A jornada terminou com uma homenagem a Francisco Lahuerta (Qwerty) pelos seus 40 anos de dedicação.

Fonte: IM FARMACIAS

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